Tudo que vai, volta.

Bom, nem tudo, claro. Já dizia o provérbio chinês: “Há três coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.” Mas, aqui, nessa proposta de investigação, o movimento só vale se for… E depois voltar.

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“Tudo que vai, volta”, na verdade, nem chega a ser o nome desse trabalho, é mesmo um motivo de movimento. Uma tarefa, uma restrição, um mote. Pode chamar como quiser. A curiosidade é por encontrar possibilidades de reversão do movimento. Nesse sentido, o vídeo se tornou uma ferramenta muito importante dentro do estudo: ver o movimento revertido virtualmente trouxe também novas qualidades para esse corpo que se move e, além disso, foi possível notar que alguns “tipos” de movimentação se tornam mais instigadores no retroceder do que outros.

O processo ainda é longo, visto que o nível de precisão desses movimentos é bem alto: acumulação, relação com a gravidade, direções no espaço, tônus, mudança de ritmo/velocidade, etc. Nesse caminho, conto com a colaboração e orientação da Paola Vasconcelos, da Julia Ludke, do Fernando Faleiro e do Diego Esteves, aos quais agradeço desde agora por terem aceitado meu convite. Nessa 5a edição do DESDOBRAMENTOS, apresentarei um primeiro fragmento desse trabalho que se pretende longo e minucioso.

Abaixo, algumas das referências e inspirações:

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Sobre dançar e desenhar

Faz algumas semanas, fui instigada pela queridona Alice Wapler, lá do Azul Anil Espaço de Arte, para escrever alguma coisa sobre dança, desenho, crianças… Isso, para o trabalho de conclusão de curso dela, mas aí fiquei com vontade de compartilhar aqui o resultado dessa provocação:

Desenho, linha, traço, ponto, borrão.

Marca e colore.

Forma. E deforma.
Onde eu desenho? Com o que posso desenhar? Como se desenha?

Não existe uma única resposta para cada uma dessas perguntas. Ainda bem!

Eu percebo meu corpo se movendo como um corpo que desenha. É um desenho feito no espaço, realizado através de minhas articulações, disposição de meu peso, direcionamento de partes. Ele pode ter um intuito nítido, um formato plenamente imaginável. Ou ser abstração.

No trabalho de dança com as crianças, ao introduzir a conscientização da relação do nosso corpo com o espaço, busco, em primeiro lugar, a ideia de que “dançar é desenhar com o corpo no espaço”, é “imaginar que podemos fazer desenhos no ar com nossos movimentos”. Isso, partindo primeiramente da representação, do desenho figurativo, ou seja, trabalhando com um imaginário possível: “como seria desenhar uma flor com os cotovelos?” Flor, sol, nuvem, casa, pessoas… Depois, partimos para o desenho das formas: “agora só pode dançar desenhando círculos!” E o que muda se forem quadrados? Quais as partes do corpo que posso usar para fazer esse desenho? E se for o corpo inteiro desenhando? Por fim, coloco em jogo a vontade de que esse desenho não seja mais nada que a gente conheça. Que seja uma dança inventada, um desenho que talvez nunca mais consigamos fazer igual. Um desenho-dança, ou uma dança-desenho, que fuja de qualquer coisa que já saibamos fazer. E que, importantíssimo, depois de tudo, seja impossível contar O QUE desenhamos, O QUE dançamos. Será somente necessário contar o que sentimos, que “DANÇAMOS DESENHANDO”…

Olívia, lindona, depois de uma aula!

 

 

Coisarada no 15º Caxias em Cena

necitra.com

Ueba!!! O espetáculo ‘Coisarada’ está no 15º Caxias em Cena – Festival de Artes Cênicas.

Estamos muito felizes! A apresentação será no dia 15 de setembro, às 14h, na lona dos grupos Boa Companhia e Matula Teatro de SP. E, no dia 16, às 9h3o, acontece um encontro com debate sobre circo e teatro, também no mesmo local. Vamos!

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Fotografia: Adriana Marchiori

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Voltar da manisfestação

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Voltar da manifestação não é bem assim, porque o movimento continua na gente, bagunçando tudo por dentro. Estou aqui pensando, ouvindo e lendo. Andando de um lado para o outro, sem saber muito bem o que “fazer agora”. Decidi então escrever, para expulsar um pouco essas coisas que estão me remexendo.

É lindo, lindo mesmo ver tanta gente na rua (a maioria pelos mesmos motivos), também nas janelas com as bandeiras brancas…  O preço abusivo das passagens de ônibus, a corrupção, a educação de baixa qualidade e o descaso com a saúde são fatos, só os ignora quem quer. Mas, sabe, fiquei pensando que o papel dos protestos está para além dessas reivindicações. Está também na potência de colocar as pessoas a pensarem. Pensarem não somente sobre tudo o que está acontecendo, mas também (e muito importante) sobre as suas próprias vidas. Refletir sobre suas ações, quaisquer que sejam elas, das mais rotineiras.  Isso porque não adianta:

– Querer que o preço da passagem baixe se paga caro por uma marca ou consome demasiadamente;

– Querer acabar com a corrupção se não devolve o troco calculado errado;

– Querer uma educação melhor se nunca compra nem lê livros;

– Querer que atenção e investimento na saúde sejam maiores se não é capaz de cuidar da sua própria alimentação.

Um mundo melhor é feito por pessoas melhores, e é nisso que está o potencial das manifestações: propiciar um momento para reflexão, um momento para a mudança. Porque, bom, se não for agora, talvez nunca seja. Eu acredito! E, por isso, inauguro meu blog nesse agora, nesse momento. Em celebração à mudança.

Crédito fotografias: Martha Reus